Conheçam mais uma tendência no mercado de trabalho, os “candidatos permanentes”, (Perennial Job Seeker) é um novo arquétipo de profissional que, independentemente de estar satisfeito ou insatisfeito no seu cargo atual, mantém a procura de emprego como uma atividade contínua, regular e permanente na sua vida. O conceito foi publicado recentemente no jornal The New York Times.
Segundo o artigo, ao contrário do modelo tradicional — onde a procura de emprego era uma fase temporária desencadeada pelo desemprego ou por profunda insatisfação — para estes profissionais, a procura constante é uma estratégia de carreira defensiva e proativa.
As razões por detrás deste comportamento
A ascensão deste fenómeno é impulsionada por uma combinação de fatores econômicos e culturais:
Instabilidade económica e incerteza: A cultura de layoffs (demissões em massa) frequentes, mesmo em setores lucrativos como a tecnologia, fez com que os trabalhadores perdessem a crença na segurança do emprego. Manter um currículo e um perfil de LinkedIn atualizados, bem como estar a fazer entrevistas, funciona como uma “apólice de seguro de carreira” contra a próxima vaga de cortes.
Erosão da lealdade mútua: As gerações mais jovens, em particular, testemunharam a falta de lealdade das empresas para com os seus funcionários. Em resposta, os profissionais adotaram uma mentalidade de que a única pessoa responsável pelo seu crescimento e compensação é o próprio, forçando a procura externa como o caminho mais rápido para um aumento salarial ou uma promoção significativa.
Melhoria contínua da marca pessoal: A prática regular de se candidatar a vagas e fazer entrevistas é vista como um exercício valioso.
Ajuda o profissional a:
- Calibrar o seu valor de mercado (saber quanto outras empresas pagariam pelas suas competências).
- Identificar lacunas de competências (compreender quais são as competências mais procuradas).
- Manter as competências de entrevista afiadas para quando a oportunidade ou a necessidade surgir.
Consequências para o mercado de trabalho
- Para as empresas: Torna a retenção de talentos significativamente mais difícil e cara. As empresas não podem contar com a inércia dos empregados. Os departamentos de RH são forçados a investir continuamente em avaliações de remuneração (para garantir que os salários são competitivos) e em programas de desenvolvimento de carreira internos para reter o talento que já possuem.
- Para os empregados: Embora a prática seja uma excelente ferramenta para aumentar o potencial de ganhos e a segurança da carreira, pode levar ao esgotamento emocional (burnout). O equilíbrio entre manter o desempenho no emprego atual e gerir o processo de procura de emprego (candidaturas, preparação, entrevistas) torna-se uma segunda jornada de trabalho.
- Novas dinâmicas de entrevistas de emprego: O mercado de trabalho tem normalizado o fato de os candidatos podem fazer entrevistas mesmo estando empregados. Os recrutadores têm procurado colaborar com horários flexíveis para as entrevistas e focados em questionar qual o motivo de insatisfação no emprego atual, assim como suas ambições e expectativas de crescimento.



